Pobreza persistente ainda afetava 61,7% das pessoas pobres em Portugal em 2025
A pobreza persistente diminuiu significativamente na última década, de 13,6 por cento em 2015 para 7,1 por cento em 2024. Contudo, em 2025, ainda afetava 61,7 por cento das pessoas pobres em Portugal, de acordo com os resultados do estudo "Trajetórias da Pobreza e da Privação", divulgados no âmbito do projeto "Portugal, Balanço Social".
A pobreza persistente diminuiu substancialmente na última década, segundo os dados divulgados, "em particular para as crianças, entre as quais se viu reduzida para metade entre 2015 e 2025".
Entre 2022 e 2025, cerca de um quarto da população, ou seja 25,6 por cento, esteve em situação de pobreza pelo menos durante um ano. No mesmo período, 6,9 por cento permaneceu nessa situação ao longo desses quatro anos.
"Assim, das 15,4 por cento pessoas que viviam na pobreza em 2025, 61,7 por cento estavam em situação de pobreza persistente".
No ano passado, a pobreza persistente foi "ligeiramente superior entre os mais velhos: 10,6 por cento das pessoas com 65 ou mais anos, contra 9 por cento dos 18–64 anos e 9,3 por cento dos menores de 18".
Já a percentagem de crianças em pobreza persistente diminuiu para metade entre 2015 e 2025, de 18,1 por cento para 9,3 por cento.
Segundo o mesmo estudo, 9,5 por cento da população residente em Portugal vivia em risco de pobreza persistente, o que significa que se encontrava em risco de pobreza nesse ano e tinha estado na mesma situação em pelo menos dois dos três anos anteriores.
O trabalho, desenvolvido pela Universidade Nova, acompanhou os mesmos indivíduos durante períodos de quatro anos, o que permitiu distinguir situações transitórias de vulnerabilidade de situações em que a pobreza e a privação se prolongam no tempo e nas quais os mecanismos de exclusão podem ser mais difíceis de reverter, explicou a equipa de investigadores, em comunicado.
"Os resultados mostram que a taxa de pobreza de um determinado ano esconde trajetórias muito díspares", assinalaram.
"Destes, 8,8 por cento estiveram em risco de pobreza durante um ano, 5,3 por cento durante dois, 4,6 por cento durante três e 6,9 por cento permaneceram em risco de pobreza nos quatro anos. Em contraste, 74,4 por cento da população nunca esteve em risco de pobreza durante o período", sublinharam no documento.
A evolução da última década revelou, ainda assim, "uma melhoria significativa".
A taxa de pobreza persistente passou de 13,6 por cento em 2015 para um mínimo de 7,1 por cento em 2024.
O estudo “Trajetórias da pobreza e da privação: uma análise da última década” faz uma análise da persistência dos fenómenos da pobreza e da privação material e social ao longo do tempo em Portugal.
"Em 2025, contudo, verificou-se uma inversão desta evolução recente, com o indicador a subir para 9,5%", observaram.
A última década revelou também uma alteração no perfil etário da pobreza persistente. "Se no início do período analisado eram as crianças e jovens que apresentavam maior incidência, em 2025 são as pessoas com 65 ou mais anos que registam a taxa mais elevada, de 10,6 por cento, face a 9,3 por cento entre os menores de 18 anos e 9,0 por cento entre a população dos 18 aos 64 anos".
Existem também diferenças entre homens e mulheres. No ano passado, 10 por cento das mulheres estava em risco de pobreza persistente, contra nove por cento dos homens.
Entre 2022 e 2025, 21,4 por cento da população passou por uma situação de privação material e social durante pelo menos um ano, enquanto 3,4 por cento permaneceu nessa situação durante os quatro anos.
As dificuldades que mais persistem no tempo estão relacionadas com a capacidade financeira das famílias.
Identificou-se igualmente uma relação entre privação persistente e menores níveis de confiança interpessoal: 24,5 por cento das pessoas em privação persistente afirmou não confiar nada nos outros, comparativamente com 7,2 por cento entre quem não se encontrava em situação de privação persistente.
A análise assentou em dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), do Instituto Nacional de Estatística (INE), seguindo uma amostra representativa de 6.057 indivíduos entre 2022 e 2025 e incluiu dados de períodos anteriores, de 2012 a 2015.
C/Lusa